• Home
  • Críticas
  • Crítica: Há amizades que nunca deixam de ser platónicas - e está tudo bem
Crítica: Há amizades que nunca deixam de ser platónicas - e está tudo bem
André Fonseca

Crítica: Há amizades que nunca deixam de ser platónicas - e está tudo bem

O género da comédia continua a ser uma das apostas mais bem sucedidas da Apple no mundo das séries, especialmente numa época em que quase não existem sitcoms (com mais de 20 episódios) e onde captar a atenção do espectador é cada vez mais difícil.

Amizade Platónica estreou no final de maio na Apple TV+ e é mais uma excelente aposta da plataforma de streaming no mundo da comédia, juntando-se a outras séries como Ted Lasso ou The Afterparty.

Na verdade, com um elenco liderado por Rose Byrne, que já está em excelente forma em Physical (a última temporada estreia em agosto), e Seth Rogen, era difícil falhar. A química entre os dois atores é bastante visível e já tinha sido notada em Má Vizinhança.

Os dois interpretam um par platónico de ex-melhores amigos a caminho da meia-idade que voltam a conviver após uma longa zanga. Sylvia é uma ex-advogada, mãe de três filhos, insatisfeita com a vida caseira e com o facto de ter desistido da sua carreira em prol da família. Will, por sua vez, acaba de se divorciar da mulher que Sylvia não gostava (e que levou a este afastamento), e tem um bar de cervejas artesanais.

Após saber da separação, Sylvia decide reaproximar-se do antigo melhor amigo. O problema? Eles já não são as mesmas pessoas e quando estão juntos voltam atrás no tempo e comportam-se como os miúdos da faculdade.

Ao longo dos 10 episódios vamos vendo a evolução desta amizade e a dificuldade de ter amigos do género oposto na vida adulta (e sobretudo quando já existem filhos) de uma forma bastante cómica.

Há vários momentos que ficam na memória como, por exemplo, o marido de Sylvia decidir convidar Will para um jogo de basebol para mostrar que até eles podem ser amigos - e não podia ter corrido de forma mais hilariante. Ou quando Sylvia decide comer o discurso de um dos colegas do marido.

Cada uma das personagens principais demonstra que podemos (e devemos) ser mais do que uma coisa. Não somos apenas pais, mães, advogados ou trabalhadores de um bar. É tudo uma questão de perspetiva e esse é um dos principais pontos da série.

Embora seja adepto de lançamentos semanais (até para conseguir acompanhar tudo), acredito que em Amizade Platónica tenha prejudicado a minha opinião da série. O ritmo de cada episódio é bom, mas ter que esperar uma semana para ver o próximo numa série deste género deixou-me de pé atrás, visto que não havia propriamente um cliffhanger no final de cada episódio.

Ainda assim, é uma daquelas séries que vale a pena ver, sobretudo em formato binge-watching. O episódio final deixa em aberto uma continuação, mas caso não aconteça a história está contada. É caso para dizer: let's wait and see.

Nota: 7/10
Amizade Platónica (24 de maio de 2023)
Duração: Dez episódios
Realização: Nicholas Stoller e Francesca Delbanco
Argumento: Judy Choi, Francesca Delbanco, Brittany Miller, Nicholas Stoller
Elenco: Rose Byrne, Seth Rogen, Luke Macfarlane, Tre Hale, Andrew Lopez e Carla Gallo

André Fonseca profile image André Fonseca
Publicado a
Críticas