Os 20 anos do OS X: venham mais 20!

Os 20 anos do OS X: venham mais 20!

Já passaram 20 anos desde o lançamento do Mac OS X. E continua sempre à frente do seu tempo.

Gonçalo Antunes de Oliveira
∙ 6 minutos de leitura

É curioso verificar que o primeiro ano das últimas décadas assinala momentos que considero muito relevantes na minha vida. Em 2021 contam-se 30 anos desde o lançamento de álbuns que mudaram a história da música (particularmente do rock) para sempre. Nevermind dos Nirvana; Blood Sugar Sex Magik dos Red Hot Chili Peppers; Ten dos Pearl Jam; Out of Time dos R.E.M.; Metallica (Black Album) dos Metallica; Use Your Illusion 1 e 2 dos Guns n' Roses; Gish dos Smashing Pumpkins; On Every Street dos Dire Straits, etc.

Há de facto indivíduos e grupos de pessoas que, com a sua criatividade, deixam sem a menor sombra de dúvida, uma marca indelével na Humanidade.

Uma década depois, já com a presençaInternet e a utilização dos computadores pessoais totalmente disseminada por todo o mundo (faltavam poucos anitos para que o iPhone abanasse tudo), no dia 24 de Março de 2001, a Apple lançou o Mac OS X. Mas em Janeiro do ano anterior Steve Jobs já nos estava a preparar para esta grande mudança.

E lá está, a criatividade de Jobs e do seu grupo ainda hoje se faz sentir nos sistemas operativos da Apple. A estratégia de partida estava muito bem definida, tendo que este novo conceito de OS X cumprir desde logo os seguintes critérios:

  1. Constituir uma estratégia única para os sistemas operativos da Apple, ou seja, centralizar-se tudo em apenas um;
  2. Ter o mais evoluído "Plumbing" possível de modo a garantir o melhor sistema de comunicação e de networking na Internet;
  3. Apresentar os melhores gráficos num sistema operativo;
  4. Consistir num sistema totalmente concebido para utilização com Internet;
  5. Garantir um processo de migração suave a partir dos sistemas operativos anteriores.

A partir desse momento, cada nova versão do Mac OS demonstrava desenvolvimentos cada vez mais inovadores e principalmente facilitadores da vida quotidiana.

Evolução do Mac OS X | Fonte: Ars Technica
Evolução do Mac OS X | Fonte: Ars Technica

Depois do falecimento prematuro de Steve Jobs (5 de Outubro de 2011), o instinto predatório e a rapidez dos grandes felinos deu lugar à imponência e perenidade das impactantes paisagens que a Mãe-Natureza construiu no Estado da Califórnia. Clica nos links sublinhados para saber mais sobre estes locais.

Portanto, e tal nas canções Red Hot Chili Peppers, o tema está sempre relacionado com a força e a vanguarda emanantes do Estado da Califórnia onde, como sabem, está localizado o Silicon Valley, berço e epicentro da criatividade e tecnologia nos Estados Unidos da América.

Um sistema operativo para um "burro" como eu

O meu primeiro contacto com a Apple fez-me sentir muito burro de tão inteligente que precisava de ser para utilizar o Windows. Comecei com a versão 3.1 do Sistema Operativo da Microsoft e tantas foram as vezes na minha juventude que tinha longas sessões de formatação do disco rígido, instalação do MS-DOS, instalação do Windows, das drivers (pois... senão até podia estar lá o hardware, mas ele não o reconhecia), do anti-vírus e depois, configurar tudo a gosto para estar como o tinha deixado antes dos ecrãs azuis ou a profunda lentidão do sistema.

E olhei para a a doca do Mac com tudo apresentado à minha frente. Primeiro perguntei-me onde estava o resto. Depois estranhei muito aquela coisa de precisar de abrir o Word e clicar num icone da doca.

Doca da Apple: e pronto... é "só" isto
Doca da Apple: e pronto... é "só" isto

Já não precisava de ir ao Start -> Microsoft Office -> Word ou de de fazer um atalho no Ambiente de Trabalho.

Então e as drivers? E o anti-virus? E o Defrag e o Disk Cleanup quanto sentia aquela lentidão? Epah, vai haver um novo sistema operativo e vou ter que pagar um balúrdio... só que não: ou era muito barato ou passou a ser de borla na Apple.

Bom, com tamanha simplicidade o burro desconfia. Afinal havia tanta coisa que tinha que fazer só para poder ter o computador funcional. Tantos degraus para abrir um programa. Até para renomear um ficheiro! Estando selecionado, na Apple é só primir a tecla Enter.

E pronto, rendi-me. De achar que a maçãzinha era um símbolo de elitismo percebi muito rapidamente que afinal a qualidade paga-se e que há coisas que valem realmente a pena. E não há dúvida que a interação com os vários sistemas operativos da Apple ainda hoje supera largamente qualquer coisa da concorrência.

Afinal simplicidade não é sinal de burrice. Afinal ter que ler toneladas de coisas e demorar o triplo do tempo não é sinal de inteligência. Afinal ter um produto que não fica lento, que não me obriga a constantes manutenções e que está muito mais protegido de vírus não é um sinal de estatuto social e de elitismo.

Com o correr do tempo

Se a intenção de Steve Jobs era centralização de tudo num sistema operativo, o tempo foi demonstrando que cada dispositivo apresentava especificidades cuja aplicabilidade no que respeita ao seu interface teria que ser distinta. Ainda me lembro dos comentários críticos da Apple relativamente à aplicação de ecrãs táteis nos laptops. Agora parece que o iPad Pro vai sofrar ainda mais adaptações até se tornar quase em si mesmo um computador portátil.

Mas é assim que a Apple funciona. Evolui e adapta-se aquelas que considera virem a ser as necessidades do consumidor, obviamente também por ele inspirada. Com efeito, a expansão levada a cado por Tim Cook permitiu pensar não num sistema operativo único, mas antes na ideia de um Ecossistema em que vários dispositivos cada um com um sistema operativo em particular, interagem simbioticamente acompanhando o utilizador literalmente ao longo das suas 24 horas.

O website All Tech News (de onde imagem é originária) está coberto de razão
O website All Tech News (de onde imagem é originária) está coberto de razão

Eu sei que há os lovers e os haters. Pessoalmente sinto que "Once you go Mac you  will never go back". Não é que deteste o Windows. Sinto muito carinho pelo primeiro OS que me introduziu ao mundo da informática. Mas a verdade é que não tenho saudades nenhumas.

No computador do meu Pai, um iMac com o Windows 10 instalado (sacrilégio!!!), decidi explorar um bocadinho, visto que a última vez que tinha usado um Windows foi nos tempos do XP. Muito bom aspeto, atrativo, pensei eu. O rato não estava a funcionar muito bem e decidi procurar as configurações. Do bonito ambiente de trabalho fui às definições. Letras novas, distribuição confusa (bom, é habitual), mas lá descobri e cliquei no apelativo icone dos dispositivos. Pasmei quando dei por mim a ver o mesmo campo de opções a que estava habituado no Windows 95. Tantas camadas de ecrã com um aspeto modernizado para ir ter ao mesmo e exato menu que há não sei quantos anos atrás.

Menu de configuração do rato Windows 10
Menu de configuração do rato Windows 10

Portanto... ops... está igual, mas com uma operação cosmética. Fazer um Print Screen? Bem, num Mac é só "Comando+Shift+3" (ou 4 ou 5). No Windows, tenho que ir ao "Start-> caminho -> caminho -> caminho -> Ferramenta de Recorte"e pior: tenho que "Salvar como...", escolher o sítio onde quero salvar a imagem, dar o nome ao ficheiro.... ufa! É preciso ser inteligente para me lembrar disto tudo e operar toda a burocracia.

Venham mais 20

Poderia perder aqui muito tempo com "technicalities" sobre cada detalhe do Mac OS X. Felizmente temos muito disso aqui no iFeed, tal como nos compete. O Monterey está quase aí e claro que vamos fazer uma cobertura completa.

Por isso, venham mais 20 anos de Mac OS e de todos os sistemas operativos da Apple. Que nos continuem a espantar com a inovação a que nos habituaram, e que mantenham o espírito simples mas eficiente; minimalista mas completo; desprovido de anti-vírus, mas seguro.

Fonte: Apple
Fonte: Apple

Foram várias as tentativas que a Apple fez para fundir os sistemas operativos. O Lanchpad e a App Store são exemplos disso. Não que tenham sido extremamente felizes, mas com o correr do tempo até que dá jeito. Agora recentemente o iOS15 permite configurar o Safari de igual modo em todos os dispositivos, garantido uma continuidade e homogeneidade. Está muito bem. Mas o facto é que cada Mac, iPhone, iPad, Apple Watch, Apple TV são diferentes mas todos são peças de um puzzle que são as nossas 24 horas. E todos têm um lugar para cada altura. E todos funcionam muito bem.

O Mac OS está cada vez melhor e recomenda-se. Que continue a evoluir, a surpreender e a inovar. E principalmente: que continue a demonstrar que menos é mais. O tempo é preciso e também é preciso ouvir música!

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